Domingo, Agosto 14, 2005
Mas que sagatiba hein!
Ouvindo: Paralamas do Sucesso - Lanterna dos Afogados
Agora: Num delicado processo de acalmamento (essa palavra existe?)
Bem, eu ia escrever um texto falando da CPI e do mensalão ou sobre como é chato ser/agüentar um hipocondríaco... Mas sabe como é... A gasolina acabou no meio do caminho (?). Então vô postar essa "crônica" que eu escrevi em meados de maio. Embora o título seja sugestivo e tal, fique tranqüilo e leia, não vai acontecer nada e você poderá dormir sossegado à noite.
Breve diálogo com a Morte
Aconteceu comigo mesma, numa dessas noites geladas, enquanto eu fazia o último passeio do dia com o meu poodle. Sabe, ter um cachorro que não faz nem xixi nem cocô dentro do apartamento é um porre; da próxima vez, vou comprar um gato.
Tudo que eu queria era que meu cão esvaziasse sua bexiga e intestinos de uma vez, porque o vento estava cortando minha boca e destruindo meu cabelo. Então, levei o bicho pro gramado que dividia a avenida. Lá o vento era ainda mais gelado e afiado.
Foi então que eu percebi uma figura esquisita parada no meio do gramado. Era um velho, cabelos muito brancos e fartos, terno preto, camisa preta, gravata preta, sapatos pretos. De longe só se via uma cabeça alva perdida no meio da escuridão. Sua expressão trazia uma rigidez e sua postura petrificada fazia parecer que o homem guardava luto por si próprio. Bem, podia ser só tédio.
Enquanto eu filosofava sobre a possível razão daquele homem, ele vinha na minha direção. Só dei por mim de que ele estava ali quando vi aquelas rugas intimidadoras me encarando.
Quem é você?, eu perguntei antes de poder formular a questão de uma forma mais polida.
Comissão Convocatória Dessa pra Melhor, disse ele enquanto tirava do bolso do paletó o distintivo com a sigla CCDM, no maior estilo agente do FBI.
Que porra é essa?
Bem, eu não gosto de usar estes termos, mas... Eu sou a Morte, sabe.
Ah claro, eu pensei, a morte. Era só o que me faltava: um velho gagá me enchendo o saco enquanto eu me contorcia de frio. Engraçado, eu suspirei desanimada, sempre achei que a morte fosse uma caveira vestida com capa preta e armada com uma foice.
Já faz tempo que nós mudamos, riu ele. As pessoas sempre saíam correndo quando eram abordadas e dava o maior trabalho para pegá-las.
Posso imaginar. Muito simpático esse seu Hugo Boss. Gostei do prendedor de gravata, ele é bem... preto.
Obrigado.
Então, acho que eu vou indo. Está frio e eu não trouxe meu cachecol.
Não, espera. Eu sou a Morte, você não ouviu?
Claro que ouvi, mas com certeza seu defunto já vai chegar. Sinto muito não poder ficar pro velório. Tchau. E fui saindo de ré.
Acho que você não entendeu. É você quem morre hoje.
Óbvio que não sou eu. Vamos, me mostre sua intimação pra me levar.
Foi então que o inacreditável aconteceu. Ele tirou um pergaminho do mesmo bolso donde tirara o distintivo.
Intimação de óbito
Declaramos por via desta que na noite de 26 de Junho do ano de 2004, a cidadã Marcelle Nunes Cavalcanti será levada pelo Comissário Convocatório Dessa pra Melhor Lucius Kafin, da Terceira Vara de Óbitos e Comas.
Atenciosamente,
Robert Stalinson
Diretor Geral da CCDM
Sinceramente, eu não sabia o que pensar. Devia ser uma brincadeira de péssimo gosto, pegadinha, pesadelo. Eu só não podia acreditar.
Então, seu Lucius, eu disse que não era eu. Nem sei quem é essa tal Marcelle. Sinto muito.
Não tente me enganar. Pode ser pior.
Mas quem está enganando o senhor? Veja bem, é possível que o senhor tenha se confundido. Meu nome é Marcela Natalina Correia, inventei na hora. É meio parecido.
Em mais de setecentos anos de serviço eu nunca errei antes.
Talvez o senhor precise de férias. Deve ser um trabalho bem estressante intimar as pessoas a morrer. Acaba com qualquer um. É preciso descansar às vezes.
Mas não pode ser, tem que ser você.
Já disse que não. Sinto muito, mesmo. Fica pra próxima. Boa sorte na busca.
Saí rapidinho enquanto o velho revisava a intimação. Eu tremia de pavor, então apurei o passo e dobrei na primeira esquina.
Hoje é dia 27 de Junho, e eu preciso parar de escrever porque o porteiro está anunciando pelo interfone um velho vestido de preto. Olha, é a campainha...
Enfim, por hoje é só isso. Até fim de semana que vem ^^'
PS: Afinal de contas, Carbono 14 é radiotivo?
Sábado, Agosto 06, 2005
Facapônta!
Ouvindo: Inner Circle - Games People Play
Agora: Sem conseguir ficar mais de um minuto sem tossir
Bem, esse post eu dedico ao meu namorado lindinho e agradeço às minhas amigas sem noção (Ó que eu tô ficando nervosa!).
O negócio é o seguinte: pra que dizer "Você é o amor da minha vida" se existem milhões de outras formas de mostrar a(o) seu(sua) amado(a) o que ele representa pra você? Agora segue uma lista de todas as coisas que o amor pode significar pra alguém. Da próxima vez, seja original (ou um plagiador do inferno) e sinta-se a vontade pra usar um desses.
Você é...
... o recheio da minha bolacha.
... a cárie do meu molar.
... o crtl+alt+del do meu PC travado.
... o papel higiênico do meu banheiro.
... a fronha do meu travesseiro.
... o "Ô-ou" do meu ICQ.
... o cobertor no meu inverno.
... o catarrão da minha gripe.
... a fronha do meu travesseiro.
... o alicate pra minha unha encravada.
... a dupla-ligação do meu eteno.
... a bolinha do meu mouse.
... o alelo do meu gene homólogo.
... o filé mignon da minha vaca.
... o troco da minha compra de R$1,99.
... o pus da minha espinha inflamada.
... o gás da minha Coca.
... o dono da minha brincadeira.
... o Roberto Jefferson da minha CPI.
... o meu absorvente nos dias de enxurrada.
... o juro do meu fundo de aplicação.
... a galinha preta da minha macumba.
... a mosca que pousou na minha sopa.
... o "Quem" do meu "Perguntou?".
... o erro 404 do meu Internet Explorer.
... a rosquinha do meu Orkut.
... o sal da minha pipoca.
... o feijão que ficou no meu dente.
... a razão de semelhança dos meus triângulos.
... o pentelho no meu sabonete.
... o controle remoto da minha TV.
... o Ken da minha Barbie.
... enfim, o amor da minha vida.
Meigo né? Bem, tem pra todos os gostos. Eu gostaria de comentar as segundas possíveis inferências que algumas dessas podem ter. É uma questão de revelação da personalidade nas entrelinhas. Veja bem o exemplo de "o controle remoto da minha TV": além do primário sentido de amor e completude (essa palavra existe?), ainda é possível ver que a pessoa que diz a frase é dependente e passiva do ser amado, não podendo ligar, mudar o brilho ou a nitidez sem o parceiro.
Hm...